
VALDEBERTO E ROBERTO LIRA, O MIMEÓGRAFO A ÓLEO E OUTROS RESGATES
Por Saulo Pericles Brocos Pires Ferreira
Vi recentemente uma entrevista do hoje bastante famoso ator Buda Lira, em que ele
que estudou na minha classe no celebérrimo Colégio Estadual de Cajazeiras, em que
ele dizia, apesar de não me mencionar como colega, pois nossos caminhos depois
daquele tempo se separaram, mas os amigos são para a vida.
Nesse depoimento ele fez alusão a uma “invenção” de uma professora a quem nutro
um carinho e afeto extraordinário, Dona Mirian Cavalcante, que uma vez por mês abria
espaço para a gente fazer ligeiras apresentações. então, com minha criatividade para o
absurdo, inventei de jogar cartas contra Fabinho Lira, e ele tascou o baralho na minha
cara, e a criatividade de Roberto e Buda para interpretar pequenos papéis, e ainda
com Rômulo Alencar que era o melhor cantor amador da cidade, as outras turmas
ficavam d debruçaras na Janela e vendo pelas frestas dos cobogós, essa apresentação
mensal.
Ele disse que ali foi onde ele sentiu que poderia fazer teatro. Nesse tempo veio o
Metac de Tarcísio Siqueira, além do TAC que minha mãe dirigia.
Eu nunca tive pendores para Teatro. Minha linha estava de Pirandello para lá e de
Aristófanes para lá (do teatro do absurdo para os anfiteatros gregos), mas eu e
Roberto escrevíamos... e a gente era extremamente crítico. Eu até hoje sou e ele era
quando vivo.
E publicávamos um jornalzinho de colégio, que causava sensação naquela época: “O
Moita”, também citado por Buda; as críticas eram tão violentas, que o grande feito era
“não sair no Moita”...
Aí entra Valdeberto Lira. Nada com os Liras da Higino Rolim, Ele era do mais próximo
círculo de Mons. Gualberto. Organizava os arquivos da Fafic, e lá haviam duas coisas
importantíssimas para fazer um jornal: Papel: uma sala repleta de resmas, e um
mimeógrafo a óleo, que era muito diferente dos que eram o usual, e álcool, que em
pouco tempo, desapareciam, e Valdeberto era o dono das chaves desse ambiente.
Estive em sua casa, ou na casa de seus pais, que era humílima, próxima à Igreja São
João Bosco, encostada a uma pedra enorme, mas depois de casado, ele se mudou para
uma melhor. Escrevo isso por causa de que determinadas pessoas, as que tiveram um
papel coadjuvante em todo o processo da instalação do ensino universitário em nossa
cidade, mas na realidade, ”carregavam o piano” durante a época em que nosso ensino
deu o salto de fundamental a superior. Tais pessoas nem têm direito a uma simples
nota de rodapé nessa Cruzada que tantos bons frutos deu e tantos dará a nossa cidade
e região. Uma vez eu vi Mons Gualberto embarcando para Brasília, via Juazeiro
levando uma enorme bagagem, um carrinho repleto de documentos para a
consolidação de nosso ensino superior, acompanhado de Valdeberto, seu principal
escudeiro. Deixo o registo de meu amigo e colega de turma.
Outra figura que me marcou durante toda a minha vida foi Roberto Lira Cartaxo, que
foi parente, colega e amigo e adentrou ao teatro, e foi alçado a alguns cargos de
responsabilidade durante a reforma do Teatro que leva o nome de minha mãe.
Tivemos tantas conversas naquele breve tempo, que eu achei que poderia acontecer
alguma coisa com Roberto. Decerto, depois ele teve um problema relacionado ao
diabetes, e fazendo jus ao seu apelido com que a gente o tratava “Roberto Revoltoso”.
Decidiu comer bastante todos os produtos proibidos para um diabético.
Até que veio a falecer. Do jeito que quis.
Assim, faço essa homenagem a esses colegas; um famoso e outros nem tanto, mas
eram meus amigos e merecem serem lembrados...
João Pessoa, 15 de fevereiro de 2026