
Cajazeiras/Paraíba — 04 de outubro de 2026
Uma das trajetórias políticas mais sólidas do Alto Sertão chegou ao fim. O médico e ex-prefeito Zé Aldemir (PP, nº 11666) não conseguiu reeleger-se deputado estadual, encerrando um ciclo que parecia imbatível: ele foi eleito prefeito de Cajazeiras, reeleito e, em 2024, indicou e elegeu sua sucessora, Corrinha Delfino. Hoje, fora da Assembleia Legislativa, o cenário é de reconfiguração total na política local.
📊 NOSSA CIDADE DECIDIU: JÚNIOR FOI O PRIMEIRO, ZÉ ALDEMIR FICOU EM SEGUNDO
Em Cajazeiras, a disputa foi direta. O candidato apoiado pela prefeita Corrinha Delfino, Júnior Araújo, foi o mais votado do município. Zé Aldemir, apesar de forte votação, não alcançou o primeiro lugar — ficando em segundo — e, fora da sua base, não teve capilaridade suficiente para atingir o quociente eleitoral no estado.
Projeções anteriores apontavam Zé Aldemir como o favorito para liderar a votação na cidade, mas o apoio institucional da prefeitura virou a balança a favor de Júnior Araújo.
O eleitorado dividiu-se claramente entre os dois nomes do mesmo partido, e a divisão interna foi determinante: sem o apoio da máquina administrativa, Zé Aldemir não conseguiu transformar sua votação em Cajazeiras em votos nas demais regiões da Paraíba.
💔 ROMDIMENTO E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA: A CAMPANHA DE GUERRA ABERTA
A campanha foi marcada por um dos rachas mais dolorosos da política sertaneja. O que antes era parceria sólida — Zé Aldemir indicou Corrinha, que foi eleita — virou guerra pública. Em entrevista, Zé Aldemir acusou a prefeita de promover "perseguições mesquinhas, mais pobres de espírito e vergonhosas", incluindo exoneração de aliados, restrição de acesso a espaços públicos e boicote institucional à sua campanha.
Corrinha Delfino não recuou: abraçou Júnior Araújo, e a estrutura municipal passou a trabalhar integralmente pela candidatura dele. Júnior chegou a aconselhar publicamente Zé Aldemir a "virar a página" e aceitar o novo momento político do grupo.
🏥 APOSTA NA SAÚDE NÃO BASTOU
Médico de formação, Zé Aldemir centrou sua campanha na trajetória e nos serviços prestados na área da saúde — sua marca histórica à frente da prefeitura. Prometeu lutar pela construção do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV) e pela UPA da Zona Norte. Mas o discurso de "candidato do serviço prestado" não superou a força da máquina administrativa e a divisão interna do grupo.
🤝 E AGORA? A RELAÇÃO COM LUCAS RIBEIRO
O governador Lucas Ribeiro (PP), reeleito em primeiro turno, manteve postura de mediação durante a campanha, mas o resultado fortalece o lado de Corrinha Delfino e Júnior Araújo:
- Sem mandato, Zé Aldemir perde força de articulação e capacidade de cobrança junto ao Palácio da Redenção.
- Júnior Araújo, eleito e apoiado pela prefeita, passa a ser o interlocutor preferencial do governo estadual em Cajazeiras.
- Compromissos como a UPA da Zona Norte e o CER IV terão que ser defendidos sem o peso de uma cadeira parlamentar.
- A tendência é que Lucas Ribeiro aprofunde a aliança com o grupo situacionista, que saiu vitorioso nas urnas.
📍 O FIM DE UM CICLO
Zé Aldemir não foi derrotado por um adversário de fora: perdeu para o próprio grupo que ele construiu. A sucessora que escolheu virou sua principal adversária e levou a cidade a escolher outro nome. Cajazeiras mostrou que respondeu à nova liderança. Resta saber se Zé Aldemir aceitará o recuo ou se transformará em oposição ativa, reescrevendo a própria história política que ajudou a construir.
Fontes: TSE
Publicação: Site Mais Informado